sábado, 10 de dezembro de 2011

AS NECESSIDADES HUMANAS

Pesquisas desenvolvidas pelo psicólogo Abraham Maslow apontam para a necessidade inata no Ser, de auto realização. Em seu livro mais conhecido – “A ordem hierárquica das necessidades” – afirma que será quase impossível desenvolvermos nosso potencial espiritual sem que nossas necessidades terrenas primárias não sejam satisfeitas.


De maneira bem ampla, podemos dividir as necessidades dos seres humanos em três níveis:

- PRIMÁRIAS – são aquelas que falam à sobrevivência básica no contexto biológico, ou seja, a obtenção de água, alimentação e reprodução da espécie.
- SECUNDÁRIAS – funcionam ao nível das emoções e do afeto. Dizem respeito às nossas relações com aqueles que nos cercam.
- TERCIÁRIAS – existem num plano mais elevado, quando buscamos a alimentação cósmica e a reintegração na Unidade.

Esses três níveis estão em constante processo de interação, ou seja – a cada momento buscamos segurança, auto realização e transcendência, muito embora nem sempre tenhamos consciência desta busca. Enquanto as necessidades primárias são satisfeitas na medida em que o Ser se lança à exploração do mundo exterior, na busca de comida ou de uma parceira para acasalar, por exemplo, as necessidades secundárias e terciárias somente são realizadas se fizermos um mergulho em nosso mundo interior. Quero dizer com isso que a satisfação de necessidades mais elaboradas está dentro de nós e na maneira com que interpretamos os acontecimentos à nossa volta.

A razão para tal equívoco está assentada nas bases materialistas da civilização ocidental. Desde crianças somos ensinados que as posses materiais oferecem segurança e poder e assim acreditamos que seremos felizes se houvermos acumulado bens de consumo. Aí se concentram as raízes do egoísmo desenfreado que campeia no mundo moderno e que é, a meu ver, a grande causa de muitos dos nossos sofrimentos.

Envolvidos pelas sutilezas da propaganda, acabamos por acreditar que precisamos de uma série de coisas materiais para obter a felicidade e o bem estar (esta é apenas uma verdade relativa, pois existem pessoas que possuem grandes fortunas e são infelizes). Adormecidos seguimos o impulso das massas sem questionarmos – será que eu preciso realmente deste novo produto? Sem parar para tentar responder a esta questão, seguimos em frente trabalhando mais e mais, dedicando horas de nossa vida que poderiam ser desfrutadas na companhia de nossos filhos para ganharmos mais e assim conquistarmos os prêmios que a sociedade de consumo nos oferece. Valerá a pena?...

Temos que, em caráter definitivo, recuperar o poder sobre nossa vida. Este poder que abrimos mão e transferimos aos outros ou às instituições para decidirem se seremos felizes ou sofredores precisa ser resgatado. Essa é a grande dica: a felicidade não está do lado de fora e sim dentro de você! E a chave de acesso a este tesouro que não se compra em nenhum shopping center do mundo é a crença de que você – e somente você pode com a sua vontade, chegar exatamente aonde acredita que pode. Você vive dentro dos limites que se auto impõe e o Universo se encarrega de confirmar suas crenças, trazendo-lhe asas para voar ou doando-lhe pesados grilhões que o deixarão preso ao solo. A escolha é sua!

Trecho do meu livro "Os caminhos do Ser - um guia para o autoconhecimento"

APRENDENDO A PERDOAR

“ Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes.”
(Mateus, XVII:15,21,22)

A terapeuta Robin Casarijian nos traz importantes colocações sobre o perdão em seu excelente trabalho – O livro do Perdão (ed.Rocco ):
“O perdão é essencial para a cura e para a experiência da nossa totalidade. No entanto, para experimentar essa totalidade, nenhuma parte de nós pode ser reprimida, negada ou passar despercebida. Assim como a nossa totalidade inclui grande sabedoria e uma capacidade extraordinária de amar, inclui raiva, ressentimento, hostilidade, vergonha e culpa, e, para muitas pessoas, fúria. Essas emoções muitas vezes permanecem ocultas e, quer estejam abafadas silenciosamente ou ardendo sob a superfície, enquanto não forem totalmente curadas, prejudicarão nossa capacidade de sermos felizes e de termos relacionamentos saudáveis e satisfatórios.”

O que essas belas palavras nos dizem? Não existe outro caminho para o equilíbrio e a saúde se não aceitarmos tudo que existe em nós. A partir da aceitação, aí sim poderemos deixar para trás o que não faz mais sentido, continuando a caminhada mais leves e descontraídos.

Perdoar não significa permanecer passivo em situações tóxicas ou abusivas. Você pode perdoar seu companheiro (a) e ainda assim se divorciar, ou perdoar seu chefe e pedir demissão do emprego. Nem mesmo importa que a outra pessoa venha a saber que você a perdoou. O que conta é o seu coração deixar ir embora todo sentimento negativo, livrando-se do vínculo doentio. O perdão é uma experiência totalmente subjetiva.

O ato de perdoar tira você de uma postura defensiva e faz com que acabe vendo com mais clareza os limites do outro. Isso resgata sua força e auto-estima. Então você encontra o caminho para se reconectar com o seu Eu interno que é divino e perfeito por natureza. Perdoar também faz você aprender a lição da humildade e a não julgar ninguém (lembra-se da história da mulher adúltera que foi salva do apedrejamento por Jesus, quando afirmou: “ – aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra..?)

Além de perdoarmos ao outro em nossos relacionamentos, precisamos exercitar o autoperdão. Sempre que transgredimos as normas do meio em que vivemos, somos passíveis de punição e sentimos o que poderíamos chamar de “culpa saudável”. Esse sentimento, ao ser elaborado satisfatoriamente nos proporciona a chance de ver as coisas de forma mais amadurecida e, portanto, torna-se um instrumento de crescimento. Até mesmo porque, nesse mundo em que vivemos, com grande frequência, aprendemos muito mais com os erros do que com os acertos.

Ao lado da culpa que nos faz crescer, existe o que se denomina de “culpa patológica” onde o indivíduo agarrando-se ao remorso persistente não se permite a elaboração do erro. Com isso acaba criando para si uma punição constante que pode acontecer das mais variadas maneiras, sob a forma de depressão, males psicossomáticos ou então atrair uma série de “desgraças” externas que só lhe fazem confirmar a condição de culpado e merecedor dos piores castigos. Para tais pessoas, muitas vezes só existe o caminho do espírito, ou seja a busca de reconexão com o Criador para que possam a partir daí iniciar o processo de perdão a si próprios.

Em sua obra citada, Robin Casarjian define: “ O autoperdão é o processo de (1) reconhecer a verdade; (2) assumir a responsabilidade pelo que você fez; (3) aprender com a experiencia reconhecendo os sentimentos mais profundos que motivaram os comportamentos ou pensamentos pelos quais você sente culpa e se julga; (4) abrir seu coração para si mesmo e escutar compassivamente os medos e os pedidos de socorro que estão dentro de você; (5) curar as feridas emocionais escutando esses pedidos de uma maneira responsável, saudável e amorosa; e (6) se alinhar com o seu Self e afirmar a sua inocência fundamental. Você pode ser culpado de algum comportamento particular; no entanto a sua personalidade essencial permanece inocente e digna de amor.”

Portanto, exercitar o perdão aos outros, bem como o autoperdão nos remete à vivência do amor incondicional que é o sentimento que nos dá vida e move as estrelas...

trecho do meu livro "Os caminhos do Ser - um guia para o autoconhecimento"

QUANDO É HORA DE PEDIR AJUDA

Por tudo que vimos observando até agora, fica evidente que o Ser Humano apresenta um impulso irresistível para o crescimento. Mesmo aqueles que não têm muita consciência e vivem meio que no “piloto automático” acabam por se deparar com situações nas quais a vida acaba lhes encostando na parede. São as crises, as perdas, as decepções que não marcam dia nem hora para se apresentar. Geralmente tentamos resolver os problemas sozinhos ou com o auxílio de alguma pessoa amiga. Entretanto, existem ocasiões em que a situação se complica e aí chega o momento de se recorrer a um profissional experiente que nos ajude a atravessar o que os místicos chamam de “a noite escura da alma”.

Uma coisa é certa; temos que concordar que procurar um aconselhamento profissional é difícil e resistimos até o último momento. O preconceito ainda é forte e diz que aquele que procura um psicoterapeuta está louco e, afinal de contas, nós não somos loucos, não é mesmo?...

Existem diversas correntes dentro da psicologia, cada uma com os seus métodos e ferramentas específicas para ajudar a pessoa em conflito. Umas são mais demoradas, outras têm um período breve. Em todas o importante é a questão da empatia, ou seja, terapeuta e cliente têm que estar sintonizados na frequência de mútua aceitação para que o processo possa lograr êxito.

Independentemente da linha que se é seguida, o processo terapêutico apresenta algumas fases bem definidas. Num primeiro instante, a pessoa que procura orientação está em crise, apresentando extrema dificuldade de relacionar-se com o mundo. traz consigo uma postura queixosa e não consegue ver saída para os seus problemas. Nesta fase é incapaz de perceber que também participa dos acontecimentos, acreditando não ter nenhuma responsabilidade pela produção dos conflitos em que se encontra.

Num segundo momento, com o auxílio do terapeuta, a pessoa passa a refletir sobre o próprio conteudo interior, adquirindo maior clareza sobre seus mecanismos de funcionamento na relação com as pessoas e com o mundo. Começa a perceber que entre ele e os outros há um processo de interferência mútua e que não deve se cristalizar na posição de vítima passiva dos acontecimentos.

É importante que a pessoa não espere respostas prontas ou uma espécie de solução para os seus problemas vindas mágicamente por parte do terapeuta. Costumo dizer que nenhum terapeuta cura ninguém – ele é apenas (e como é difícil sê-lo!) um facilitador no caminho da pessoa para que ela encontre suas próprias respostas. Ninguém vai lhe dizer – faça isso ou faça aquilo! Até porque os caminhos da vida são individuais e o que é bom para uma pessoa pode não o ser para outra.

Quanto mais avança o trabalho da psicoterapia, o cliente entra em outra fase que é a de perceber que pode recuperar o poder de transformar a própria vida, dando novo significado à sua participação no mundo e descobrindo uma nova postura em seus relacionamentos. Com isso, torna-se um indivíduo mais centrado, maduro, pronto a ver a vida com uma nova visão

Se você se encontra perdido, confuso diante de situações nas quais não sabe como agir, não hesite em procurar a ajuda de um profissional qualificado. A grande maioria das pessoas que se submete a processos de psicoterapia, reconhece a validade da ajuda e como tais recursos são importantes na melhora da sua qualidade de vida. Não é feio se ter problemas, nem deixaremos de ser nós mesmos ao admitirmos nossa fragilidade. Talvez nesse momento, ao aceitar que somos inseguros e imperfeitos, começaremos a construção de uma nova pessoa dentro de nós...

trecho do meu livro "Os caminhos do Ser - um guia para o autoconhecimento"

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CRESCENDO SEMPRE

Do ponto de vista físico, nascemos pequenos e a medida que vamos nos alimentando, o organismo vai se desenvolvendo sob o impulso do processo do crescimento. O corpo vai se modificando, passando por sucessivas etapas de transformação até que na idade adulta, atingimos o apogeu do crescimento físico. A partir deste momento, se inicia o declínio gradativo das funções biológicas, ocorrendo o processo do envelhecimento de nosso organismo, até a extinção completa da energia vital que nos anima, chegando à morte.

Assim como existe o crescimento físico, também ocorre o crescimento emocional. E de que modo?

Trazemos dentro de nós, um conjunto de características (espirituais e genéticas) que, em contato com o tipo de educação recebido dos pais, irá promover o desenvolvimento (pleno ou restrito) de nossos aspectos emocionais. Mais à frente iremos conversar um pouco sobre as crenças que assumimos na infância e que vão determinar o futuro comportamento na vida adulta. Por enquanto, vamos ficar no processo do crescimento emocional. É evidente que se faz necessário o exercício da vontade consciente, pois nada acontecerá se ficarmos numa atitude passiva, esperando que as coisas venham de fora e que a felicidade e o bem estar caiam do céu. Como bem dizia Geraldo Vandré – “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”. O ritmo de crescimento psicológico da pessoa depende básicamente do conflito entre a necessidade de segurança e a oferta de estímulos. Costumo dizer que a vida pode ser comparada a um barquinho...podemos deixá-lo amarrado fortemente no cais e aí então estará a salvo de tormentas e perigos, muito embora condenado à estagnação sem cumprir seu destino básico que é navegar. Ao contrário, nosso barquinho poderá se desprender do cais e viajar léguas sem conta, descobrindo lugares maravilhosos e excitantes paisagens. Mas, tal atitude é muito arriscada!...

Sim...e daí? Viver plenamente implica correr riscos.

Infelizmente, a maioria das pessoas ainda faz opção por grossas correntes a amarrar seus barcos na beira de um cais velho e desbotado... afirmam com frequência preferir ficar como estão – mesmo sofrendo com isso – a escolher a mudança e partir rumo ao desconhecido. Como diz Edoardo Giustti, em seu livro A Arte de Reencontrar-se – “ Agindo dessa forma a pessoa só procura justificativa para poder repetir sem fim o velho espetáculo de lamentar-se. Todos os dias encontramos rostos frustados que se movimentam como se robotizados, perpetuando sua própria insatisfação, incapazes e impotentes de saírem do círculo vicioso.”

Crescer portanto, seria abandonar uma posição desconfortável mas conhecida por outra desconhecida na intenção de se alcançar um nível mais prazeroso e satisfatório de vida, mesmo que isto exija uma atitude corajosa de saltar rumo ao desconhecido. Muitas vezes, a vida em sua sabedoria natural acaba por nos “convidar” á mudança, através de situações imprevistas e até mesmo dolorosas. Trazemos indelevelmente marcado em nosso interior o impulso divino de seguir para a frente buscando sempre a felicidade e a paz. Este impulso é irresistível e, se tivermos sabedoria, tudo que temos de fazer é não dificultar as coisas e deixar que, naturalmente a felicidade se instale em nosso caminho.

domingo, 27 de novembro de 2011

FICAR HABITUADO OU ESTAR ATENTO

Ficar habituado ou estar atento

Envelhecimento: biológico e psicológico
Ficar habituado – diminuição gradual de reação à estimulação persistente. Por ex. tic-tac de um relógio, passos de pessoa no andar de cima. No início esses sons nos perturbam; com o passar do tempo o cérebro começa a fabricar filtros que, de certa maneira, abafam o ruído e com o tempo, percebemos que já estamos tão acostumados a esses ruídos que é como se eles não existissem mais.

Ficar habituado – é uma redução da nossa consciência, bem como dos nossos sentidos, um processo no qual, com o tempo, os estímulos comuns da vida, os prazeres simples e as pequenas alegrias perdem a qualidade por força da simples repetição.

Observar a criança descobrindo o mundo – em princípio tudo o que nos rodeia é brilhante, vivo e animado: o gorjeio do pardal, o gosto do sorvete, a visão das nuvens de verão...Então o tempo passa – quando escutamos o gorjear de milhares de pardais, quando lambemos a nossa décima milésima casquinha de sorvete, quando vemos a nossa milionésima nuvem passar sobre a nossa cabeça, a nossa reação a esses estímulos diminui. O ficar habituado se estabelece – vem a rigidez e o envelhecimento psicológico.

Ex; quando viajamos ficamos mais alegres porque encontramos novos estímulos.

FICAR HABITUADO;
- aspectos positivos – nos livra da sobrecarga sensorial.
- aspectos negativos – faz nos acomodarmos.

Ficar habituado em seu sentido mais profundo é mais do que simplesmente uma entrega às rotinas. Em um nível mais profundo, pode ser considerado o oposto da consciência e da atenção que são os pilares da vida espiritual
Ficar habituado = inconsciência = desatenção.
Ficar habituado – significa vivermos fora do momento, estarmos desatentos a nós mesmos e não observarmos o que fazemos.
Ficar habituado – significa permitirmos que a nossa mente desperdice o tempo pensando os seus pensamentos costumeiros e sonhando os seus sonhos costumeiros – eu quero, eu não quero, eu gosto, eu detesto, eu lembro, eu esqueço...

Os hábitos são necessários – guardar a chave do carro no mesmo lugar de todas as vezes e escovar os dentes são hábitos extremamente úteis.

Ficar habituado – causa o fechamento da consciência a um nível tão empobrecido de percepção que só interagimos com o mundo no nível mais superficial através de idéias fixas,suposições preconcebidas e uma mente fechada.

Visão de realidade – é na verdade, uma construção mental subjetiva e tendenciosa, na qual selecionamos um pequenino grupo de idéias e estímulos sistematicamente rejeitando todo o resto.
O resultado desse esforço mental de organização é que o nosso universo se torna reduzido ao nível da nossa própria capacidade de compreende-lo e processá-lo.
Desenvolvemos sistemas ou categorias estereotipadas para classificar os estímulos que nos alcançam – esperamos que os carros façam um determinado ruído, que os sinais de transito sejam de uma determinada cor e determinadas pessoas sempre digam as mesmas coisas. Portanto, o que nós realmente percebemos não são os carros ou os sinais de transito. São invenções de nossos limitados sistemas internos de processamento que vêem o que o hábito nos diz para vermos e que são filtrados através das lentes das nossas próprias subjetividade, imaginação e sugestibilidade.
O senso de realidade é construído não como as coisas realmente são, mas sobre modelos interpretativos baseados em nossas experiências anteriores.
Ficar habituado é o subproduto de todas as rotinas as quais nossa mente se entrega durante décadas.
Perto da meia idade esse mecanismo se torna predominante.
Passamos não mais a escutar as pessoas porque as nossas noções preconcebidas nos dizem que já sabemos a verdade ( a pessoa escuta, mas não ouve...)
Isso acontece quando paramos de ver as coisas como se fosse pela primeira vez, como apenas uma criança é capaz de fazer.
Portanto,
Ficar habituado – redução da consciência ao invés de uma expansão da consciência.
Como superar essa armadilha?
A resposta é ATENÇÃO !!
Como praticar a atenção?
Comecemos prestando atenção aos eventos que acontecem ao nosso redor. Abrir uma garrafa, digitar um texto, atender ao telefone, tomar o café da manhã...
“ viver as experiências que a vida nos oferece é obrigatório; sofrer com elas ou desfrutá-las é opcional”
“ sua visão se tornará clara somente quando você puder olhar dentro do seu próprio coração.
Aquele que olha para fora sonha, aquele que olha para dentro, desperta”
Jung.

domingo, 13 de novembro de 2011

SÓ SEI QUE NADA SEI...

“ Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”
W. Shakespeare


O ser humano sempre teve um incontrolável fascínio para tentar desvendar os enigmas da vida.. .Na penumbra das cavernas pré históricas, movido muito mais por medo e pela curiosidade do que pela inteligência, observando os fenômenos da natureza, acabou por descobrir o fogo e com ele iniciou diversos ciclos de aprendizagem contínua que o faz, nos tempos de hoje, construir naves espaciais e buscar a existência de vida em outros planetas.

O fantástico desenvolvimento da inteligência humana, acabou por trazer um grave efeito colateral. Narcisicamente, o homem se deixou seduzir por si próprio e inadvertidamente acabou por acreditar ser o próprio Deus!

Tal distorção, motivada pelo orgulho e pela vaidade, acabou por obstruir seu caminho em direção à compreensão da verdade e dos reais objetivos da vida. O sentimento de onipotência é frequentemente encontrado (com várias e honrosas exceções) nos ambientes universitários, nas catedrais da ciência. Em tais redutos intelectuais encontramos mentes repletas de conhecimento e rasas de sabedoria, cada uma querendo fazer valer a “sua” verdade...

Um pesquisador que faz parte das “honrosas exceções” é o neurocientista português Antonio Damásio, atualmente na Universidade do Sul da Califórnia, coordenando o Instituto de Cérebro e Criatividade Neodarwinista que acabou de publicar seu quarto livro – “ E o cérebro criou o Homem” – Ed Companhia das Letras.

Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ele nos diz:
“ É preciso ter modéstia para reconhecer que jamais poderemos mapear o homem completamente...O ser humano é algo extremamente belo e complexo.”

Profundas palavras que refletem a postura de todo aquele que se lança em busca do conhecimento e, através do reconhecimento de seus limites, acaba por encontrar a sabedoria! Nenhuma necessidade existe de se provar que a “minha” teoria é melhor do que a “sua”. Como a parábola oriental dos quatro cegos definindo um elefante, cada um de nós pode estar apalpando uma parte do corpo do elefante e obtendo assim, uma percepção que, apesar de real, permanece incompleta, em relação ao objeto estudado, pois eu poderia perguntar – qual dos quatro cegos conseguiu definir completamente o elefante?...

Recorrendo ao professor Damásio, em outro trecho da entrevista, ele nos diz:
“ – Ainda sabemos tão pouco que não temos como fazer pronunciamentos sobre problemas tão profundos quanto crenças e as razões do universo. As pessoas podem ter opiniões, mas não devem dizer aos outros o que pensar.”

Seguindo nesta direção, bafejados pelo sopro do paradigma holístico, descortinamos uma visão de conjunto onde cada teoria científica, cada ensinamento esotérico, cada voz inarticulada no centro de nossa intuição, podem se transformar em valiosas ferramentas para o desbravamento do fascinante universo interior que brilha e pulsa dentro de cada um de nós!

Paz e Luz!

domingo, 6 de novembro de 2011

A CASA ESTÁ FICANDO LOTADA...

Merece registro a notícia de que no final do mês passado (outubro/2011), o bebê de número 7 bilhões chegou ao nosso planeta. Sim, já somos sete bilhões vivendo nesta linda morada cósmica!

Já em 1798, o economista Thomas Malthus apresentava sua teoria apocalíptica de que a população iria crescer em progressão geométrica, enquanto o ritmo de produção de alimentos cresceria em progressão aritmética.

O crescimento populacional sempre foi objeto de estudos e acaloradas discussões,havendo um conflito entre duas grandes correntes – a dos que achavam que o crescimento populacional iria provocar uma explosão demográfica de tal intensidade que a própria vida na terra estaria seriamente comprometida e o outro grupo afirmando que a ciência e a tecnologia acabariam sempre por dar conta de alimentar essa população toda

Outros cientistas políticos e sociais, afirmam que não se pode ter um visão simplista do problema, ligando a ocorrência da fome no planeta ao crescimento populacional. A fome que castiga mais da metade da população mundial, dizem, é resultado da má distribuição da renda e não da carência na produção de alimentos.

Sem querer entrar na polêmica do assunto, acredito que possamos fazer algumas reflexões...

Devemos nos ver, simultaneamente como seres individuais e coletivos, ou seja – eu tenho atitudes que influenciam o meu universo pessoal e exerço ações que acabam por interferir no meio em que vivo, a nível familiar e social

Vão aí, algumas sugestões...

- decida ser feliz, pois como filho de Deus, você foi criado para tal fim.
- aprenda que cada um tem o direito de pensar e agir de forma diferente da sua. Não lhe cabe julgar ninguém.
- procure promover a concórdia e a fraternidade.
- reconheça que o único tempo possível para realizar qualquer mudança é o AGORA. Com isso, você se libertará do passado e não se conectará na ansiedade pelo futuro.
- entenda que você habita um planeta vivo (Gaia) que merece todo o nosso respeito, cuidado e gratidão.
- procure consumir apenas o necessário, evitando desta maneira, o supérfluo e o desperdício.

Se mantivermos o foco nessas metas, por certo estaremos caminhando na direção de um mundo mais equilibrado, sustentável e feliz...

Paz e luz!