segunda-feira, 12 de março de 2012

RESGATANDO A AUTO ESTIMA

Sempre nos pautando na visão holística não podemos cair no equívoco de tentar entender o ser humano dissociado do seu meio ambiente e de seus relacionamentos. A saúde de um indivíduo resulta do seu mundo interno, bem como da maneira como interage com o mundo exterior.
Toneladas de papel já foram gastas na produção de livros de auto ajuda, nos quais encontramos desde conselhos óbvios e sensatos até sugestões mirabolantes e sem sentido. Um dos temas preferidos nesta área é a questão da auto estima.
Começamos a desenvolvê-la na infância, a partir de como as outras pessoas nos tratam. As crenças e valores dos pais (e ancestrais) são introjetados pelo indivíduo e vão funcionar como modelos, verdadeiras lentes pelas quais ele irá ver o mundo e a si próprio.
Gostar de si é fator primordial para a estruturação de uma vida saudável. Ao longo do desenvolvimento, a pessoa pode alterar seus programas e melhorar seu grau de auto estima. Outro aspecto interessante é que o indivíduo não apresenta o mesmo grau de auto estima nas diversas áreas de sua vida. Por exemplo, alguém pode ser plenamente seguro de si na área profissional mas sentir-se frágil e vacilante na vida afetiva ou vice-versa.
O primeiro passo para melhorar a auto estima é a identificação das crenças negativas que foram construídas no decorrer da vida. Tarefa esta, muitas vezes difícil, a exigir atenção e investimento em si próprio. A chave para se atingir tal objetivo está no conselho inscrito no portal do oráculo de Delfos na Grécia antiga – “ homem conhece-te a ti mesmo”. Em certas situações da vida, talvez seja necessário a busca de ajuda através de uma psicoterapia.
Muitas vezes quando crianças, percebíamos que se nos adaptássemos a determinados padrões, éramos recompensados com elogios e afeto. Com tal adaptação, vamos sutilmente nos afastando sem nos dar conta, de nossas reais necessidades. Ao crescer e se tornar adulto, o indivíduo vai reproduzir os padrões cultivados em seu intimo, como velhos programas instalados num computador, que tendem a se repetir indefinidamente até serem substituídos por versões mais modernas e adequadas às necessidades da vida madura.
Não se deve entender que não existam valores e padrões úteis e proveitosos. Estes devem ser mantidos e até mesmo aprimorados. O que precisamos é resgatar o contato com a nossa própria essência, compreendendo que a verdadeira sabedoria é se perceber do real tamanho que se é, nem maior, nem menor. É aceitar que somos seres humanos em construção permanente e que erros e fracassos também fazem parte do processo de crescimento. Negar a própria sombra é viver desconectado de si próprio, enquanto sua aceitação é o início do processo de se tornar uma pessoa inteira.
Todos nós temos três imagens representativas. A primeira é a de quem realmente nós somos. A segunda é aquela que os outros fazem da nossa pessoa e a terceira é a imagem que julgamos que os outros fazem de nós. É muito difícil que, na prática, essas três imagens coincidam totalmente. Grande numero de pessoas procura tentar corresponder à maneira pela qual julgam que os outros lhes vêem, mesmo que para isso tenha que ir contra a sua própria natureza, mutilando-se psiquicamente para serem aceitos.
É obvio que, ao vivermos em sociedade, naturalmente temos que nos adaptar às regras e padrões para viver uma vida razoavelmente equilibrada. Entretanto, esse nível de adaptação deve respeitar nossas convicções internas, sem o qual, corremos o risco de ser um ator a representar os papéis da vida, sem a vivermos de verdade.
Dentro dos vários modelos em que fomos criados, muitos deles nos colocam a imposição de que termos de ser vitoriosos a qualquer custo. A necessidade compulsiva de se agir sempre de forma perfeita acaba criando na pessoa uma ansiedade neurótica impossível de ser resolvida, pois uma das características que nos faz mais humanos é exatamente a imperfeição. Não que devamos nos acomodar e viver de qualquer jeito. Será sempre uma medida salutar que busquemos situações melhores e mais adequadas a uma boa qualidade de vida. Entretanto, devemos nos convencer de que, por enquanto, somos perfeitos apenas em nossa essência, e aqui estamos nesse mundo para concretizar nosso potencial divino. Somos seres em constante estado de vir a ser, em contínuo aprimoramento.
Desta forma, não se preocupe tanto com o seu desempenho, apenas procure viver e fazer tudo que tem por fazer de maneira ética, alegre e criativa. É bem verdade que, em certos períodos da vida, as coisas parecem não dar certo e uma nuvenzinha escura teima por permanecer sobre nossa cabeça. Não veja nessas circunstâncias, um terrível castigo dos céus, mas sim, procure entender o que este período ou essas circunstancias difíceis estão querendo ensinar para você. Esse é o caminho natural para o crescimento interior. Olhando a vida sobre esse prisma, você verá que a perfeição é impossível pelo simples fato de que não acabamos o “curso” e a cada novo dia, uma lição diferente será oferecida para sua reflexão.

sexta-feira, 9 de março de 2012

CÉREBRO E MENTE

Tarefa relativamente fácil é considerarmos o cérebro como o órgão nobre por excelência, sede do sistema nervoso. Como vimos anteriormente, veio evoluindo filogeneticamente desde os organismos elementares até adquirir a configuração atual no homo sapiens, com seus dois hemisférios e cerca de 100 bilhões de neurônios, sendo que cada um deles pode estabelecer perto de 10 mil conexões (sinapses) com outros neurônios.
Essa fabulosa população celular acaba se organizando em grupos que trabalham sincrônicamente, executando diferentes funções, como os diversos músicos de uma orquestra executariam variados movimentos obedecendo às ordens de um maestro. Poderíamos dizer que, nesta comparação, a mente seria o grande maestro desta orquestra maravilhosa.
Até aí, tudo bem...
Mas...o que vem a ser a mente, este maestro brilhante que faz a orquestra produzir os mais brilhantes movimentos?
A tentativa de responder a esta pergunta nos desloca inevitavelmente para a fronteira entre os dois paradigmas vigentes na atualidade. A visão cartesiana/newtoniana coloca a mente como um atributo material, resultado emergente de toda a atividade cerebral, embora a rigor e apesar de todo o desenvolvimento tecnológico e científico, ainda não se pode afirmar com convicção que mente e cérebro sejam a mesma coisa.
A tese holística, aceitando outras dimensões não materiais do ser, define a mente como algo independente do cérebro. Fazendo uma comparação com a informática, diríamos que a visão holística coloca o cérebro como a estrutura física do computador (hardware) e a mente como os programas que lhe são instalados e que o fazem funcionar (software). Ambos, hardware e software, formam uma unidade funcional onde não faz sentido a existência de um sem a integração com o outro.
Nesse esquema, perguntaríamos: quem é o operador do sistema?...
O fato é que o desenvolvimento das pesquisas na área da física quântica nos aponta para uma realidade que transcende a matéria física. Conceitos como materialismo e espiritualismo não podem mais serem vistos como excludentes e sim como complementares na visão do paradigma holístico.
Para terminar esse capítulo trago as palavras instigantes de Deepak Chopra, médico indiano, autoridade reconhecida na área de medicina alternativa, em seu livro “ Vida Incondicional” (ed. Best Seller):
“O que é mente senão o que experimenta, o que sabe? O que é corpo senão o experimentado, o conhecido? Se posso mudar minha atenção de um para o outro, então deve existir um “eu” que não está preso ao dualismo da mente-corpo. Esse “eu” não pode ser descoberto por métodos simples. Não posso olhar para ele, porque está no meu olho; não posso ouvi-lo porque está em meu ouvido; não posso tocá-lo porque está em meus dedos. Então, o que resta? Somente a voz interior que sussurra: “Vá além”. Seguindo essa ordem eu talvez venha a me perder num território desconhecido.”
Palavras profundas que nos deixam a pensar....

sábado, 3 de março de 2012

A CRIANÇA INTERIOR

“ Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o reino de Deus”
Jesus Cristo.
A maioria das correntes em psicologia é enfática ao apontar os primeiros anos de nossa vida como fundamentais para a formação das crenças que vão nos acompanhar pelo resto da vida. As crianças, mesmo ainda dentro do útero materno, são extremamente sensíveis à atmosfera mental dos adultos que as cercam. Quando nascemos, passamos a sofrer a influência contínua dos nossos pais (ou das figuras que foram encarregadas de nos cuidar) num envolvimento energético e verbal constante no processo da educação. Evidentemente nenhum pai ou mãe irá desejar o mal para seu filho; entretanto não existe “educação perfeita”, pois só podemos transmitir aquilo que recebemos e nossos pais nos educam de acordo com o padrão com o qual foram educados por nossos avós.
Desde pequenos percebemos que, se agirmos de determinada maneira, recebemos a aprovação dos adultos, ao passo que outras atitudes provocam desaprovação e castigo. Passamos então a agir tentando conquistar a aceitação e nos acostumamos a ser “bonzinhos” e “obedientes”, criando desta forma uma roupagem social com a qual nos manifestamos no mundo, conquistando nosso espaço e garantindo a recepção de amor. Ao nos tornarmos adultos, acreditamos que esse disfarce usado durante tanto tempo seja a nossa real natureza, o que não é verdadeiro. Dessa forma, deixamos de ter contato com o que realmente somos e perdemos toda a espontaneidade nos relacionamentos o que acarreta frustração e dor. Nesse momento, ao perder a espontaneidade e a pureza de quem somos, deixamos de ser crianças e ingressamos no mundo dos adultos...
Quando crianças somos verdadeiras “esponjas” assimilando não só o ambiente vibracional em que vivemos como o estilo de vida e as crenças de nossos pais. Se são vencedores, naturalmente seremos também vencedores. Ao contrário, se tiverem feito a opção de viverem o fracasso, certamente não encontraremos outra coisa a não ser o fracasso pela frente. Também é claro que não importa muito o que os pais dizem e sim o que fazem no cotidiano. Suas atitudes é que serão o modelo a ser seguido pelos filhos.
Muitas vezes levamos para a vida adulta, os conflitos e carências da infância, repetindo no relacionamento com os outros o mesmo padrão de quando éramos pequenos. Isso, com certeza compromete nosso equilíbrio, pois a nossa criança interior ferida continua “dando as cartas” na vida adulta. Por exemplo: uma menina amava muito seu pai, mas este era alcóolatra e a maltratava com rudeza e agressividade. Com muita possibilidade, quando se tornar adulta, tendo introjetado o padrão de que não merece receber amor de qualquer figura masculina, esta pessoa passará a atrair homens que venham a confirmar suas crenças, ou seja – indivíduos rudes, agressivos e violentos.
Outro exemplo: se quando pequeno, seus pais eram muito rígidos e exigiam muito de você, com certeza agora como adulto você será uma pessoa dura consigo mesmo, se exigindo, criticando e não admitindo falhas. Ou seja – uma receita quase infalível para o sofrimento e a neurose, certo?
Com todo o processo de educação acabamos por consolidar uma série de crenças auto limitantes, principalmente ao acreditarmos na premissa de que não somos suficientemente bons e, portanto, não merecemos a felicidade. Essa postura é reforçada pela religião que faz com que acreditemos que o mundo é um “vale de lágrimas” e que aqui estamos para sofrer e pagar os pecados.
Também a cultura ocidental nos fez acreditar que os adultos têm de estar sempre sérios, trabalhando e tratando de assuntos muito importantes. A maioria de nós traz a criança interior ferida e/ou sufocada. Para adquirirmos a saúde integral nos caminhos do Ser, precisamos reconectarmo-nos com esta criança que habita em nós.
E como fazer isso?
Simples. Comece a brincar mais, faça coisas que não fazia desde pequeno (por exemplo, tocar a campainha das casas e sair correndo...) Compre um bom livro de piadas e conte-as a seus amigos. Leve sua esposa/noiva/namorada para comer pipoca num parque de diversões. Falte um dia ao seu trabalho e fique andando à toa. Coma cachorro quente sem guardanapo e se lambuze todo...
Mas calma! Não se assuste! Não quero que você veja em minhas sugestões um incentivo à irresponsabilidade e à anarquia. Isso por certo iria lhe trazer muitos problemas. Chamo a atenção apenas para que reflita e passe a olhar para as dificuldades da vida com outra visão. Ao invés de encaixar os problemas no velho chavão: “coisas chatas que acontecem só comigo e atrapalham a minha vida”, comece a fazer a pergunta certa: - por que esse tipo de obstáculo cruza com tanta frequência o meu caminho? O que será que preciso aprender com isso?
Convide amorosamente sua criança interna a vir à superfície, atualize-a e lhe permita ajudá-lo com a sua criatividade espontânea a ver tudo com mais alegria, fé e entusiasmo. Pratique mais a “criancice” e veja só como sua vida irá mudar!
Uma parceria equilibrada entre a criança que existe em seu interior e o adulto que você é, por certo lhe trará uma vida mais prazerosa. Se pensar desta maneira, vai ver que na próxima vez que fôr passear em algum parque de sua cidade, uma linda borboleta azul virá brincar com você...Saia da realidade e voe com ela, mergulhando nos seus sonhos...
Se entrarmos em contato com nossa criança interior dando-lhe amor e carinho, aceitando-a tal qual é, estaremos dando um importante passo no caminho da própria cura. Aí então, com esperança e criatividade poderemos dar nossa melhor contribuição para a cura do Planeta. Depende de nós...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA

Neste pequeno artigo, vou tentar descrever um comportamento que vem se mostrando cada vez mais freqüente nos relacionamentos humanos. É o que estou denominando de dependência energética.
Dependência, segundo o dicionário é – sujeição, submissão, obediência, subordinação
Em nosso cotidiano, vamos observar que se emprega o termo ligando-o ao uso abusivo de drogas ilícitas, medicamentos controlados, bebidas alcoólicas, também existindo o emprego do uso como ao se referir que alguém é dependente de outra pessoa ou de alguma situação da qual não consegue se livrar.
E aí que entramos com o nosso conceito de DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA.
Todos nós temos um padrão específico de energia a nos caracterizar a personalidade. Tal padrão é produto do que trazemos em nosso arquivo espiritual e também fruto dos nossos pensamentos e de nossas crenças.
Essa “atmosfera” energética vai fazer com que atraiamos e sejamos atraídos por pessoas que vibrem na mesma faixa em que nos situamos, bem como sejamos repelidos ou afastemos aqueles que não comunguem com o nosso jeito de ser e de pensar. A lei de afinidade está presente em todos os recantos do Universo!
Somos os únicos responsáveis pela manutenção da nossa saúde energética e precisamos de tempos em tempos, haurir novas energias, principalmente no contato com as forças da natureza, seja andando num parque arborizado, mergulhando nas águas de uma praia ou de uma cachoeira.
Quando não realizamos tais procedimentos de forma regular, temos uma “baixa” energética e acabamos por “sugar” a energia das pessoas com as quais convivemos . Se essa carência energética prossegue por um tempo mais dilatado, chegamos a desencadear até mesmo doenças no corpo físico.
Outras vezes, acabamos por confundir a afinidade energética que nutrimos por outra pessoa com um sentimento mais profundo e acreditamos estar apaixonados por aquele ser em cuja companhia tudo se transforma em alegria e luz!
Nessas situações, muitas vezes, acabamos por nos viciar na energia daquela pessoa, passando a buscá-la (fisicamente ou pelo pensamento) em todos os momentos.
Criamos até expressões como –“você é o ar que eu respiro!” para explicar tais processos simbióticos que acabam algemando as pessoas umas às outras.
O AMOR verdadeiro sempre é libertador! Como um pássaro livre, o ser amado tem os céus como destino.
Isso é muito diferente da dependência energética, onde o “viciado” quer o pássaro preso numa gaiola (mesmo que dourada, ainda assim uma gaiola...)
Outra expressão – “ Sem você a minha vida não tem sentido!”
Pessoas que agem dessa maneira, num mecanismo neurótico e egoísta, acabam por sugar a energia do companheiro, desvitalizando-o, sem mesmo ter consciência da nocividade deste procedimento.
Que possamos prestar atenção ao nosso padrão de energia, buscando torná-lo saudável e equilibrado
A manutenção da nossa vitalidade energética nem sempre é tarefa fácil, pois somos com freqüência, bombardeados por energias negativas que podem vir de pessoas que não nos estimam ou simplesmente de lugares e/ou pessoas negativas e invejosas.
E em relação às nossas relações afetivas precisamos considerar que só seremos verdadeiramente capazes de amar alguém quando estivermos nos autonutrindo energéticamente, estabelecendo não uma relação de dependência energética, mas sim, uma relação verdadeira de troca satisfatória entre nós e aquele que amamos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

INVERSÃO DE PAPÉIS

Um dia desses, lá pelas seis da tarde, estava eu no supermercado a fazer umas comprinhas. Aquele horário sempre apresentava um grande movimento...carrinhos lotados de compras iam e vinham num movimento sem fim.

Pois bem, finalizando as compras, dirigi-me ao caixa preferencial (essa é uma das vantagens de se ter 61 anos...rs). Logo atrás de mim, um outro senhor esperava a sua vez, quando uma moça de seus trinta anos, acompanhada de uma linda menina, que deveria ter uns oito anos e ser sua filha, ia se encaminhando para nossa fila (a dos velhinhos...rs)

Prontamente, a menina puxando o braço da genitora, exclamou:
“- mamãe, não podemos entrar nessa fila que este caixa é preferencial “
A mãe em tom de bronca, responde quase gritando:
“- que nada, neste horário não tem nada disso, podemos entrar em qualquer fila!”
Eu e o outro senhor, trocamos um olhar que não precisou de palavras. Estávamos, ambos espantados com aquela cena.

Que mundo é esse em que uma criança ensina os princípios básicos de civilidade e cidadania à sua mãe, numa completa inversão de papéis, pois quem deveria ensinar –e dar o exemplo, era a mãe e não a filha.
Sei que não era o momento de filosofar, mas não consegui deixar de refletir com os meus botões...
Por que andamos todos tão estressados, sem paciência uns com os outros? Por que tanta agressividade entre as pessoas, todas querendo levar vantagem e “se dar bem”?
Onde se esconderam aqueles valores que nos dizem para respeitar os mais velhos, sermos honestos, fraternos e colaborativos?
Em que ponto nos perdemos?...

O mundo está mesmo mudando. As crianças de hoje representam a esperança de que é possível uma convivência melhor, pois trazem ao renascer, valores salutares, independentes da educação que seus pais tentam (?) lhes passar.
Todos somos seres cósmicos a caminho da luz!
Uns já se encontram bem a frente, enquanto outros se demoram na retaguarda.
Este é o caminho da evolução.
E nessa longa jornada temos que nos perguntar – o que estou aprendendo e ensinando nesta vida?
Que cada um tenha clareza e lucidez para encontrar suas respostas, é o que sinceramente desejo
Um abraço!


Luiz Sérgio

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O MÉDICO DE ANTIGAMENTE...

Queridos amigos, sem nos aprofundarmos nas causas (que são inúmeras e complexas) assinalo a decadência da figura que o médico representa nos dias atuais, em que a saúde a nível publico acha-se sucateada e o pouco que dela sobra está nas mãos das poderosas associações de medicina de grupo. Apenas deixo como reflexão alguns trechos da belíssima crônica de Rubem Alves, em seu livro “O médico” – ed. Papirus, 2002.
“ – Antigamente, a simples presença do médico irradiava vida. Antigamente os médicos eram também feiticeiros...
....A vida circulava nas relações de afeto que ligam o médico àqueles que o cercavam. Naquele tempo os médicos sabiam dessas coisas. Hoje não sabem mais.
...O médico de antigamente era um herói romântico, vestido de branco. As jovens donzelas e as mulheres casadas suspiravam ao vê-lo passar. Ainda bem que a consulta permitia o gozo puro do toque da sua mão...
...O cavaleiro solitário que luta contra a morte é um santo. Quem, jamais, ousaria pensar qualquer coisa de mau contra o médico? Hoje são comuns os processos contra os médicos por imperícia. Ser médico transformou-se num risco. Porque ninguém mais acredita na sua santidade. Talvez porque eles tenham deixado mesmo de ser santos...
...Eu me apaixonei pela imagem. Queria ser feiticeiro. Queria ser o cavaleiro solitário que luta contra a morte. Queria ser o santo....
...Não fui médico. Mas segui pela vida encantado por aquele quadro. O encanto foi quebrado quando fui fazer meu doutoramento nos Estados Unidos. Um dia fui ouvir uma palestra do diretor do hospital da cidade de Princeton, NJ, onde eu estudava. Ele começou sua preleção com esta afirmação que estilhaçou o quadro: “O hospital de Princeton é uma empresa que vende serviços”. “Meu Deus”, eu pensei. “Aquele médico não existe mais”. E percebi que, agora, os médicos se encontram lado a lado com os prestadores de serviço, os encanadores, os eletricistas, os vendedores de seguros, os agentes funerários, os motoristas de táxi. É só procurar na lista de classificados. A presença mágica já não existe. O médico é um profissional como os outros. Perdeu sua aura sagrada.
E me veio, então, uma definição do médico compatível com a definição que o diretor deu para o hospital de Princeton: “um médico é uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços.”
... Acho que os médicos, hoje, são infelizes por causa disto: eles resolveram ser médicos por desejar ser belos como o cavaleiro solitário, puros como o santo, e admirados como o feiticeiro. Era isso que estava dentro deles, ao tomarem a decisão de estudar medicina. E é isso que continua a viver na sua alma, como saudade...
É. A vida lhes pregou uma peça. E hoje a imagem que eles vêem, refletida no espelho, é a de uma unidade biopsicológica móvel, portadora de conhecimentos especializados, e que vende serviços...Os médicos sofrem por saudade de uma imagem que não existe mais.”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O CONCEITO DE SAÚDE

Via de regra, a maioria das pessoas associa a saúde a um corpo equilibrado e sem doenças. Isso é apenas parte da verdade, pois o conceito de saúde é extenso, complexo e multifatorial. A OMS – Organização Mundial de Saúde definia o termo como sendo o bem estar bio-psico-social do indivíduo. Atualmente, já incorporou o aspecto espiritual em sua definição.
A maioria das pessoas só vai a busca de um médico para aliviar um sintoma, geralmente doloroso que as estejam incomodando ou impedindo de exercer suas atividades cotidianas. Para o médico tradicional, a recuperação da saúde viria com a prescrição de medicamentos ou com o emprego de técnicas específicas para a remoção dos sintomas. Utilizando a definição multifatorial do conceito de saúde, o objetivo do tratamento não seria apenas a eliminação dos sintomas ( geralmente sinais de advertência de que algo não vai bem ) e sim a obtenção de um estado geral de bem estar e de uma melhor qualidade de vida.
Recorro ao dr. Richard Gerber em seu livro – “ Medicina Vibracional” (Ed. Cultrix) para trazer luz a essa questão:
“ Existe grande diferença entre “ausência de sintomas” e bem estar. Nós definimos bem estar como um estado no qual um ser humano opera num nível ótimo de integração entre os elementos do corpo, da mente e do espírito.
O indivíduo que goza de bem estar é aquele que, além de ser feliz, saudável e completo também vê propósito e significado em sua vida. Na definição de saúde e bem estar está implícita uma mudança de consciência que contribui para o aprendizado de novas idéias, ajuda o indivíduo a compreender a si mesmo e, de modo geral, proporciona constante apoio ao crescimento psicológico e espiritual da pessoa.”
Entendendo a saúde como um conceito global, podemos também percebê-la em três níveis específicos:
1 – Em relação a si mesmo:
O avanço das comunicações vem difundindo conceitos que mostram a importância de se cuidar do corpo para a manutenção de uma boa saúde. Campanhas contra o sedentarismo e hábitos mais naturais de alimentação tentam mobilizar cada vez mais a opinião pública. O estresse das mais variadas origens, bem como preocupações com a sobrevivência e a excessiva competitividade são apontados como grandes vilões da saúde. A popularização do conhecimento faz com que a maioria das pessoas tenha acesso a informações que lhes propiciam condições de manter um nível mais adequado de saúde e bem estar. Todos estão mais receptivos a campanhas de vacinação e procedimentos profiláticos em relação a doenças de massa.
2 – No convívio com o outro:
Na área da saúde psíquica, observamos as emoções e os sentimentos sendo a cada dia mais valorizados, levando as pessoas a uma reavaliação contínua na qualidade dos seus relacionamentos. Esse é um tema delicado e complexo, pois o homem que vivia acorrentado a padrões rígidos de conduta, a normas sociais do que se considerava certo ou errado, de repente, viu-se sem parâmetros externos que pudessem nortear suas atitudes. Isso, de certa forma, o deixou confuso. O excessivo materialismo também fez com que descambasse para um individualismo predatório e egoístico. De certa forma, as necessidades econômicas que fizeram a mulher abandonar o seu antigo posto de dona de casa e partir para o mercado de trabalho, desestabilizaram as relações homem-mulher e o que vemos agora é uma sociedade repensando seus valores relacionais como família e casamento. Tal processo de transformação, inevitavelmente, vem acompanhado de uma dose de angústia e incerteza, o que certamente influencia a saúde emocional dos indivíduos.
3 – No equilíbrio do planeta:
Nenhum habitante da Terra em sã consciência poderá alegar ignorância em relação aos problemas ecológicos da atualidade, tais como o aquecimento global, a poluição de mares e rios e o desmatamento desenfreado que vem agravando significativamente a qualidade de vida. Apesar de interesses mesquinhos e egoístas das nações mais desenvolvidas que cínicamente tentam um discurso de retórica que não se vê aplicado na prática, cada vez mais a população se conscientiza de que é preciso se fazer alguma coisa até mesmo para se preservar a vida humana. Assim, podemos também falar em saúde planetária, tema esse que prioriza a importância do equilíbrio entre o homem e sua morada cósmica.